quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Que te posso dar...



A sensação de perder quem se ama, é provavelmente a pior sensação do mundo…
Tanta perguntas: O porque? A culpa foi minha? Que fiz eu de errado? Que te faltou?

São tantas as dúvidas que chega a um ponto que não conseguimos pensar em nada…
A dor de ver o olhar pesado, um olhar sem brilho… a dor dos braços não serem os meus…
São tantos e intermináveis as dores que sinto o corpo dormente… não sei ao certo se tenho coração, se ainda existe alma em mim…
Então surge a pergunta… Sim a pergunta e não uma pergunta… Aquela que sem te ter nos meus braços, sem ter a tua pele… sem saber nem como nem porque se levanta…

Que posso eu te dar?


Quando já dei tudo… fica a escuridão e a certeza… NÃO POSSO DAR MAIS NADA…

domingo, 19 de outubro de 2014

Nem por um segundo…



Por mais que abra a janela e deixe o resplendor entrar, por mais que mude o invólucro, por mais que apague as promessas… Nem por um segundo… Nem por um segundo me esqueço…

Tão breve a mutação da brisa, tão suave o aroma… Olho, sinto, saboreio sem sair da minha tarimba… fecho os olhos e voo… Consigo olhar o sorriso tímido no canto da boca… o cabelo que tapa os olhos que brilhavam ao toque da minha pele no rosto. Sinto a pressão na minha blindagem de seda, sinto a vibração das palavras do simples adeus. Saboreio o sabor de menta e canela do recanto do lábio.

Por mais que pense na dor do descuido, na dor da perfídia… Por mais que coloque na libra a vontade do nada, o buraco de alma… Nada me faz nem por um segundo perder…

De que vale a razão? De que vale sensatez? De que vale a liberdade? Quando a nossa morada está longe do peito… Mesmo assim, nem por um segundo abrando…

Cada lágrima cai sem ter sentido, cada respiração pede para ser a última… mas:


NEM POR UM SEGUNDO TE DEIXO DE AMAR!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A maior prova de amor...

                  
A maior prova de amor…
                  
Não ser perfeito devia ser a condição básica para não nos aventurarmos nos sentimentos.
Mas quem é perfeito? Quem pode dizer que nunca errou?
Eu não sou um poço de virtudes, não sou belo, nem tão pouco príncipe perfeito…
Bem após esta pequena introdução sinto-me, ou começo a sentir-me capaz de falar. Sei que é errado abdicar do que amamos, que não é certo não lutar pelo que queremos. Mas que se pode fazer quando a vontade do outro não é a mesma que a nossa?
E agora dizem: - e o tempo investido? E as expectativas? Os sonhos? As promessas?

Eu não sei bem como responder a isso, aliás a dor que sinto, que me corrói a alma não me deixa tão pouco pensar correctamente… Mas sei que se foi embora é porque não era feliz… O seu sorriso perante mim, já não é o mesmo… Já não sou capaz de lhe dar a felicidade que tanto quer… Então que me resta?
Qual a maior prova de amor? Há muito e muito tempo que sigo uma regra:

Deixar partir quem amamos, sem imposições, sem mágoa, sem repressão… é a maior prova de amor que posso dar.

Talvez seja apenas estúpido, quem sabe sou…
Talvez não tenha coragem para lutar… quem sabe também…

Não nego que me sinto a morrer, cada letra que aqui escrevo é um pedaço de alma que morre, é uma lágrima que cai…

Mas não consigo evitar isso… serei um cobarde? Talvez…


MAS PARA VER O SORRISO A BRILHAR SOU CAPAZ DE TUDO…

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.